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Como um silêncio teu no corpo da madrugada estruturado o espanto arquitetura da mágoa na noite - brilho de espera na esfera - manhã fugindo
Eu que desvendei as searas do cansaço numa floresta de busca encontrado involuntário Amigo eu que te espero renovado em espanto o jeito branco como um cavalo no escuro.
Escrito por Adriano às 02:37
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Amor - O Interminável Aprendizado Affonso Romano de Sant'Anna

Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem. Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas. Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.
Se enganava.
Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado. Sim, o amor é um interminável aprendizado.
Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.
De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem. E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.
Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.
Depois de folhear um, dez, centenas de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.
O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.
Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.
O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.
Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.
O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.
Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.
E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.
Absurdo.
Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?
Adolescente amava de um jeito. Adulto amava melhormente de outro. Quando viesse a velhice, como amaria finalmente? Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta? Coisa de demente.
Não era só a estória e as estórias do seu amor. Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.
Estava sempre perplexo. Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.
Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.
O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.
Optou por aceitar a sua ignorância.
Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.
E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.
Texto extraído do livro "21 Histórias de amor", Francisco Alves Editora – Rio de Janeiro, 2002, pág.11.

Affonso Romano de Sant'Anna. |
Escrito por Adriano às 02:06
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Ilusão, o que parece mais naõ é.Sinto-me impelido a criar simulacros de mim mesmo em oceanos cáusticos que ouso atravessar. A travessia naõ se faz fácil,ma o percurso é feito e diante dos olhos de todos e sobretudo dos meus,respiro aliviado.Atravessei e nem sequer sei nadar,mais fui...mais fui até onde meu movimento se fizer necessário.
Escrito por Adriano às 01:53
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Uva passa
desânimo, todos temos em muitos momentos de nossas vidas, eu tive uma semana assim.Vontade de desisitir de tudo,menos de viver é claro,rss, apenas de me sentar em frente a tv, e ficar vendo um programa atrás do outro ou simplesmente zapeando.Comendo que nem um porco, principamente, chocolate é claro.Sem me preocupar que vou engordar, que não estou malhando este mês, que tenho de cuidar da minha sáude,bla,bla,bla,etc Simplesmente me deixar, chegade fazer aula de canto, chega de fazer teatro. Fazer um monte de teste pra comerciais, chega,chega de levantar todo dia 6 e 35 da manhã pra dar aula,enfim, chega! Mas como tudo passa até a uva passa, esse caos todo dentro de mim passou também, me fez repensar algumas coisas e me movimentar pra outras.talvez seja este o objetivo deste reboliço todo que nos pega de surpresa,nos dá uma chacoalhada,nos vira do avesso e depois simplesmente passa como se nada tivesse acontecido.Passa.
Escrito por Adriano às 02:26
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Escrito por Adriano às 01:06
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(terraço-Van Gogh)
A arte e em especial a pintura me transportam a mundos de uma beleza infinita, como é possível criar uma ilusão tão perfeita , vislumbrar possibilidades onde naõ existe, enxergar uma profundidade ,através de um único ponto de fuga que nos faz entrar dentro deste universo. Sentir a madrugada, o café vazio, a noite estrelada, promessas de uma noite que já foi e agora termina,madrugada,restos de alvoroço.Cores quentes e frias, corações quentes e frios, aconchegados ou precisando de aconchego,traços fortes em meio a tanta sutileza,quero mergulhar nesta sensação,quero me embrenhar pelos becos escuros, quero sentir, quero vibrar.
(Adriano Carvalhaes)
Escrito por Adriano às 19:59
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imagem manipulada

Estava aqui pensando em divulgar ou naõ meu blog na rede.Cheguei a conclusão de naõ divulgá-lo pelo menos naõ em larga escala.Apenas divulga-lo aos amigos mais chegados, até por que naõ vejo muito interesse no meu blog ,além o de exercitar a minha escrita e a exibição de fotos minhas que saõ tantas,rsss,. Fotos que são recortes de algum momento da minha vida ou de algum momento no palco.Fotos que pra mim tem um significado pois estão dentro de um determinado contexto, mas que desconectadas do mesmo, viram um recorte onde as outras pessoas acabam fazendo outras leituras, e isto eu acho interessante. Meu blog esta se transformando num ótimo e saudável pretexto pra escrever cada vez mais e citando Clarice Lispector: "A palavra salva" eu diria mais, as imagens também, principalmente com invenção do photoshop,rsss, brincadeiras a parte o que quero dizer é que somos muito mais que imagens manipuladas .Pois a essência tem de ser real, tenho de estar inteiro em tudo que faço na vida .Um viva ás imagens manipuladas pois nos deixam mais bonitos ,rsss. . mas naõ revelam o que temos de melhor que é nossa essência e esta só quem nos conhece é que sabe.Um grande beijo a quem ler.
Escrito por Adriano às 20:32
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 . È com muito bom humor que revejo o que fui e o que sou , naõ renego nada da minha história de vida, tudo teve sua importância de ser. Hoje vejo esta foto sem qualquer tipo de nostalgia,mas sim muita alegria, e mais do que nunca hoje com 4O anos me sinto muito mais travesso do que fui na foto acima aos cinco anos, rsss,me permitindo a ser feliz.
Escrito por Adriano às 16:37
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| Já gastámos as palavras. |
| Quando agora digo: meu amor, |
| Já não se passa absolutamente nada. |
| (...) |
| Dentro de ti |
| Não há nada que me peça água.
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| E, no entanto, quando havia palavras |
| (...) |
| era no tempo em que o teu corpo era um aquário, |
| era no tempo em que os meus olhos |
| eram realmente peixes. |
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(ANDRADE, 1999: 43-4) |
Escrito por Adriano às 16:05
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| Nunca tive outra pátria, |
| Nem outro espelho; |
| Nunca tive outra casa. |
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(ANDRADE, 1999: 73) |
Escrito por Adriano às 14:00
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Existe uma história de simplicidade linda, que gostaria de contar. Um lenda, um acalento dito antes do sonho tocar os olhos de qualquer pessoa. Não sei se é verdade... e não me importo com isso. Não precisa ser!
Muito tempo atrás... depois do mundo ser criado e da vida completá-lo. Houve num dia, numa tarde de céu azul e calor ameno. Um encontro entre Deus e um de seus incontáveis anjos.
Acredita?
Deus estava sentado, calado, sob a sombra de um pé de jabuticaba. Lentamente sem pecado, Deus erguia suas mãos, então colhia uma ou outra fruta.... Saboreava sua criação negra e adocicada. Fechava os olhos e pensava... Permitia-se um sorriso piedoso. Mantinha seu olhar complacente.
Foi então que, das nuvens, um de seus muitos arcanjos desceu e veio em sua direção... Já ouviu a voz de um anjo? É como o sussurro da brisa... Ele tinha asas lindas... brancas, imaculadas. Ajoelhou-se aos pés de Deus e falou:
– Senhor... visitei sua criação como pediu. Fui a todos os cantos. Estive no sul, no norte, no leste e oeste. Vi e fiz parte de todas as coisas... Observei cada uma de suas crianças humanas. E por ter visto vim até o senhor... para tentar entender. Por que? Por que cada uma das pessoas sobre a terra tem apenas uma asa? Nós, anjos, temos duas... Podemos ir até o amor que o senhor representa sempre que desejarmos. Podemos voar para a liberdade sempre que quisermos. Mas o humano, com sua única asa, não pode voar. Não podem voar com apenas uma asa..."
Deus na brandura dos gestos, respondeu pacientemente ao seu anjo:
"Sim... eu sei disso. Sei que fiz os humanos com apenas uma asa..."
Intrigado, com a consciência absoluta de seu senhor, o anjo queria entender e perguntou:
"Mas por que o senhor deu aos homens apenas uma asa quando são necessárias duas asas para poder voar... para poder ser livre?"
Conhecedor que era de todas as respostas, Deus não teve pressa para falar... Comeu outra jabuticaba, obscura e suave e então respondeu...
"Eles podem voar, sim, meu anjo. Dei aos humanos apenas uma asa para que eles pudessem voar mais e melhor que Eu ou vocês, meus arcanjos.... Para voar, meu amigo, você precisa de suas duas asas... Embora livre, sempre estará sozinho. Talvez da mesma maneira que Eu... Mas os humanos... Os humanos com sua única asa precisarão sempre dar as mãos para alguém a fim de terem suas duas asas. Cada um deles tem, na verdade, um par de asas... uma outra asa, em algum lugar do mundo, que completa o par. Assim eles aprenderão a respeitarem-se, pois ao quebrar a única asa de outra pessoa podem estar acabando com as suas próprias chances de voar. Assim meu anjo, eles aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa... aprenderão que somente permitindo-se amar, eles poderão voar. Tocando a mão de outra pessoa, em um abraço correto e afetuoso, eles poderão encontrar a asa que lhes falta... e poderão finalmente voar. Somente através do amor irão chegar até onde estou... assim como você meu anjo. E eles nunca... nunca estarão sozinhos quando forem voar."
Deus silenciou em seu sorriso...
O anjo compreendeu o que não precisava ser dito. E assim sendo, no fim desse conto, espero que um dia você encontre a sua outra asa. Para finalmente poder voar
Escrito por Adriano às 12:37
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Depus a máscara e vi-me ao espelho. Era a criança de há quantos anos. Não tinha mudado nada... É essa a vantagem de saber tirar a máscara. É-se sempre a criança, O passado que foi A criança. Depuz a máscara, e tornei a pô-la. Assim é melhor, Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um térrminus de linha.
Álvaro de Campos
Escrito por Adriano às 12:16
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Dança(Matisse)
A crença em uma materialidade fluida da alma é indispensável para o ofício do ator.Saber que uma paixão é material, que está sujeita ás flutuações plásticas da matéria, outorga um império sobre as paixões, ampliando nossa soberania.Alcançar as paixões por meio de suas próprias forças ao invés de considerá-las abstrações puras confere ao ator a maestria de um verdadeiro curandeiro. Saber que a alma tem uma expressão corporal permite ao ator alcançar a alma em sentido inverso e redescobrir seu ser por meio de analogias matemáticas.(Artaud)
Escrito por Adriano às 17:15
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Podem Ameaçar Com As Bombas E Morteiros Da Marinha Americana Podem Roubar Meu Dinheiro E Chamar Os Hômes Pra Me Levar Em Cana, Nem Que As Vacas Tussam E As Porcas Torçam Seus Rabos Nem Que Eu Seja Atacado Por Mil Cachorros Brabos Mesmo Que Me Acusem De Tudo Que É Heresia E Arranquem Meu Dente De Ciso Sem Anestesia Nada Vai Apagar Meu Sorriso
Escrito por Adriano às 16:54
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Canção para o rei
Lindo! O cabelo trançado de agora, depois de espantar motoristas de táxi preconceituosos, medrosos estatísticos e outros podres poderes com seu cabelo de lã, seu alarmoso black power, sua sarapieira de onde também nascem alguns lisos fios sem ambiente no meio da cresparada, mas que, ao longe, formam indivisível e esperto conjunto, é ele na minha poesia de agora e de sempre e de outrora o mais nobre e precioso assunto: ele, vindo com seu olhar doce e macho, seu nariz de mitologia grega, sua sobrancelha eloqüente, sua boca perfeita e sábia demais, ah... ele com sua paz de rapaz do novo milênio, seu discreto charme, sua gentileza contumaz... Ele, meu guerreiro calmo e contemporâneo meu romântico e espontâneo, meu reservado pensador, o sincero, calmo e sagaz, ele se tornou o lindo anjo que já era em criança, só que grande e com mais desejos e esperanças na bagagem. Especial nas particularidades, cidadão de raras altitudes, espião de milimétricas atitudes, cineasta da contemplação... toda essência estava lá: já no seu pote-menino, no seu porte-potrinho, no seu forte-xangozinho, duende que sempre foi das mais poéticas crianças perguntas! Ele, o cavaleiro do século vinte e um, “ cavaleiro de Jorge”, sua mais pungente canção de ninar, que fez minha boca cantar sem cansar. Ele, o por inteiro, o confiante, o duvidoso, o certeiro, o investigador musical, o cantor afinadíssimo de banheiro, trilha sonora e silenciosa do real, meu poema mais garboso, minha vaidade-mico, minha cara-de-pau! (Não fosse eu um estelionatário da modéstia à parte e fosse eu poeta superior, poeta verdadeiro de verdade, que da mentira não deixasse vestígio, confessaria, diria que ele, mais que meu príncipe, é minha sorte. Diria, sem rubores, que ele, Juliano, é mais que meu prestígio; confessaria, diria que ele, meu Deus, é meu filho!)(Elisa Lucinda)
Escrito por Adriano às 16:38
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